terça-feira, 22 de maio de 2012
ATENÇÃO ALUNOS DA 7A SÉRIE
TRABALHO SOBRE POESIAS
1- CAPA
2- POESIA “NUNCA DIGA”
3- SONETO: PESQUISE UM SONETO E FAÇA UMA PARÓDIA SOBRE O MESMO
4- QUADRA: PESQUISE OU INVENTE 4 QUADRAS OU TROVAS
5- POEMAS VISUAIS: CRIE UM POEMA VISUAL
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
COMO FAZER UMA DISSERTAÇÃO
DISSERTAÇÃO
Dissertação é um texto que se caracteriza pela defesa de uma idéia, de um ponto de vista, ou pelo questionamento acerca de um determinado assunto.
Em geral, para se obter maior clareza na exposição de um ponto de vista, costuma-se distribuir a matéria em três partes.
a. introdução - em que se apresenta a idéia ou o ponto de vista que será defendido;
b. desenvolvimento ou argumentação - em que se desenvolve o ponto de vista para tentar convencer o leitor; para isso, deve-se usar uma sólida argumentação, citar exemplos, recorrer a opinião de especialistas, fornecer dados, etc.
c. conclusão - em que se dá um fecho ao texto, coerente com o desenvolvimento, com os argumentos apresentados.
Portanto, a elaboração de um texto dissertativo não está centrada na função poética da linguagem e sim na colocação e na defesa de idéias e na forma como essas idéias são articuladas.
O Esquema-Padrão
Esquema é um guia que estabelecemos para ser seguido, no qual colocamos em frases sucintas (ou mesmo em simples palavras) o roteiro para a elaboração do texto. No rascunho, vamos dando forma à redação, porque nele as idéias colocadas no esquema passam a ser redigidas, tomando a forma de frases até chegar a um texto coerente.
O primeiro passo para a elaboração de um esquema é ter entendido o tema proposto, pois de nada adiantará um ótimo esquema se ele não estiver adequado ao tema.
Na introdução, você deverá colocar a tese que vai defender;
No desenvolvimento, palavras que resumam os argumentos que você apresentará para sustentar a tese;
Na conclusão, uma palavra que represente a conclusão a ser dada.
Veja, um exemplo do esquema com as idéias:
Tema: A pena de morte: contra ou a favor?
introdução: contra, não resolve.
desenvolvimento:
1.direito à vida -- religião
2. outros países -- EUA
3. erro judiciário
4. classes baixas
5. tradição.
conclusão: ineficaz: solução: erradicação da pobreza.
Feito o esquema, é segui-lo passo a passo, transformando as palavras em frases, dando forma à redação.
No exemplo dado, na introdução você se declararia contrário (a) à pena de morte porque ela não resolve o problema do crescente aumento da criminalidade no país.
No desenvolvimento, você utilizaria os argumentos de que todas as pessoas têm direito à vida, consagrado pelas religiões; de que nos países em que ela existe, citando os Estados Unidos como exemplo, não fez baixar a criminalidade; de que sempre é possível haver um erro judicial que leve a matar um inocente; de que, no caso brasileiro, ela seria aplicada somente às classes mais baixas; que não podem pagar bons advogados; e, finalmente, de que a tradição jurídica brasileira consagra o direito à vida e repudia a pena de morte.
Como conclusão, retomaria a tese insistindo na ineficácia desse tipo de pena e indicando outras soluções para resolver o problema da criminalidade, como a erradicação da miséria.
A Gramática da Dissertação
O texto dissertativo requer uma linguagem mais sóbria, denotativa, sem rodeios (afinal, convence-se o leitor para força dos argumentos, não pelo cansaço); daí ser preferível o uso da terceira pessoa e o emprego de verbos no presente.
Dissertação é um texto que se caracteriza pela defesa de uma idéia, de um ponto de vista, ou pelo questionamento acerca de um determinado assunto.
Em geral, para se obter maior clareza na exposição de um ponto de vista, costuma-se distribuir a matéria em três partes.
a. introdução - em que se apresenta a idéia ou o ponto de vista que será defendido;
b. desenvolvimento ou argumentação - em que se desenvolve o ponto de vista para tentar convencer o leitor; para isso, deve-se usar uma sólida argumentação, citar exemplos, recorrer a opinião de especialistas, fornecer dados, etc.
c. conclusão - em que se dá um fecho ao texto, coerente com o desenvolvimento, com os argumentos apresentados.
Portanto, a elaboração de um texto dissertativo não está centrada na função poética da linguagem e sim na colocação e na defesa de idéias e na forma como essas idéias são articuladas.
O Esquema-Padrão
Esquema é um guia que estabelecemos para ser seguido, no qual colocamos em frases sucintas (ou mesmo em simples palavras) o roteiro para a elaboração do texto. No rascunho, vamos dando forma à redação, porque nele as idéias colocadas no esquema passam a ser redigidas, tomando a forma de frases até chegar a um texto coerente.
O primeiro passo para a elaboração de um esquema é ter entendido o tema proposto, pois de nada adiantará um ótimo esquema se ele não estiver adequado ao tema.
Na introdução, você deverá colocar a tese que vai defender;
No desenvolvimento, palavras que resumam os argumentos que você apresentará para sustentar a tese;
Na conclusão, uma palavra que represente a conclusão a ser dada.
Veja, um exemplo do esquema com as idéias:
Tema: A pena de morte: contra ou a favor?
introdução: contra, não resolve.
desenvolvimento:
1.direito à vida -- religião
2. outros países -- EUA
3. erro judiciário
4. classes baixas
5. tradição.
conclusão: ineficaz: solução: erradicação da pobreza.
Feito o esquema, é segui-lo passo a passo, transformando as palavras em frases, dando forma à redação.
No exemplo dado, na introdução você se declararia contrário (a) à pena de morte porque ela não resolve o problema do crescente aumento da criminalidade no país.
No desenvolvimento, você utilizaria os argumentos de que todas as pessoas têm direito à vida, consagrado pelas religiões; de que nos países em que ela existe, citando os Estados Unidos como exemplo, não fez baixar a criminalidade; de que sempre é possível haver um erro judicial que leve a matar um inocente; de que, no caso brasileiro, ela seria aplicada somente às classes mais baixas; que não podem pagar bons advogados; e, finalmente, de que a tradição jurídica brasileira consagra o direito à vida e repudia a pena de morte.
Como conclusão, retomaria a tese insistindo na ineficácia desse tipo de pena e indicando outras soluções para resolver o problema da criminalidade, como a erradicação da miséria.
A Gramática da Dissertação
O texto dissertativo requer uma linguagem mais sóbria, denotativa, sem rodeios (afinal, convence-se o leitor para força dos argumentos, não pelo cansaço); daí ser preferível o uso da terceira pessoa e o emprego de verbos no presente.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
CONJUGAÇÃO DO VERBO: FAZER
Verbo Fazer...
Gerúndio: fazendo
Particípio passado: feito
INDICATIVO
Presente Pretérito perfeito Pretérito imperfeito
eu faço eu fiz eu fazia
tu fazes tu fizeste tu fazias
ele/ela faz ele/ela fez ele/ela fazia
nós fazemos nós fizemos nós fazíamos
vós fazeis vós fizestes vós fazíeis
eles/elas fazem eles/elas fizeram eles/elas faziam
Pret. mais-que-perfeito Futuro do presente Futuro do pretérito
eu fizera eu farei eu faria
tu fizeras tu farás tu farias
ele/ela fizera ele/ela fará ele/ela faria
nós fizéramos nós faremos nós faríamos
vós fizéreis vós fareis vós faríeis
eles/elas fizeram eles/elas farão eles/elas fariam
CONJUNTIVO
SUBJUNTIVO (BR)
Presente Pretérito imperfeito Futuro
que eu faça se eu fizesse quando eu fizer
que tu faças se tu fizesses quando tu fizeres
que ele/ela faça se ele/ela fizesse quando ele/ela fizer
que nós façamos se nós fizéssemos quando nós fizermos
que vós façais se vós fizésseis quando vós fizerdes
que eles/elas façam se eles/elas fizessem quando eles/elas fizerem
IMPERATIVO
afirmativo negativo INFINITIVO PESSOAL
– – para fazer eu
faz ≈ faze tu não faças tu para fazeres tu
faça você não faça você para fazer ele/ela
façamos nós não façamos nós para fazermos nós
fazei vós não façais vós para fazerdes vós
façam vocês não façam vocês para fazerem eles/elas
Gerúndio: fazendo
Particípio passado: feito
INDICATIVO
Presente Pretérito perfeito Pretérito imperfeito
eu faço eu fiz eu fazia
tu fazes tu fizeste tu fazias
ele/ela faz ele/ela fez ele/ela fazia
nós fazemos nós fizemos nós fazíamos
vós fazeis vós fizestes vós fazíeis
eles/elas fazem eles/elas fizeram eles/elas faziam
Pret. mais-que-perfeito Futuro do presente Futuro do pretérito
eu fizera eu farei eu faria
tu fizeras tu farás tu farias
ele/ela fizera ele/ela fará ele/ela faria
nós fizéramos nós faremos nós faríamos
vós fizéreis vós fareis vós faríeis
eles/elas fizeram eles/elas farão eles/elas fariam
CONJUNTIVO
SUBJUNTIVO (BR)
Presente Pretérito imperfeito Futuro
que eu faça se eu fizesse quando eu fizer
que tu faças se tu fizesses quando tu fizeres
que ele/ela faça se ele/ela fizesse quando ele/ela fizer
que nós façamos se nós fizéssemos quando nós fizermos
que vós façais se vós fizésseis quando vós fizerdes
que eles/elas façam se eles/elas fizessem quando eles/elas fizerem
IMPERATIVO
afirmativo negativo INFINITIVO PESSOAL
– – para fazer eu
faz ≈ faze tu não faças tu para fazeres tu
faça você não faça você para fazer ele/ela
façamos nós não façamos nós para fazermos nós
fazei vós não façais vós para fazerdes vós
façam vocês não façam vocês para fazerem eles/elas
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
domingo, 24 de julho de 2011
MODERNISMO EM PORTUGAL
Contexto histórico:
-1ª Guerra Mundial;
-Meios artísticos invadidos por manifestos de vanguarda;
-Em Portugal, ocorrem turbulências devido à implantação do governo Republicano (1910);
-1908 O rei D.Carlos e o príncipe D. Luís Filipe são assassinados por um popular republicano, e quem assume o trono é um jovem de dezoito anos, D. Manuel II;
-A 1ª Guerra e a disputa sobre as colônias africanas geram uma frustração que encontra refúgio em uma onda de nacionalismo que gera duas correntes em Portugal: os SAUDOSISTAS e os INTEGRALISTAS;
-Volta ao passado e à grandiosidade do Império;
-1920 O nacionalismo português apresenta traços semelhantes ao fascismo italiano e ao nazismo alemão;
-1926 Tem início o governo de Salazar. A ditadura salazarista durará quarenta e oito anos, até a Revolução dos Cravos, em 1974.
-Conflito entre a euforia diante dos avanços técnico-científicos e a disputa pelos mercados consumidores, fator causador da 1ª Guerra Mundial;
-Otimismo x Pessimismo.
Manifestações artísticas:
-Surgimento de diversas tendências preocupadas com uma nova interpretação da realidade;
-Multiplicidade de tendências: as Vanguardas Européias;
-Principais vanguardas: Futurismo
Expressionismo
Cubismo
Dadaísmo
Surrealismo
Algumas características estético-ideológicas do Modernismo:
-Atitude irreverente em relação aos padrões estabelecidos;
-Fuga das tradições literárias;
-Reação ao passado clássico e estático;
-Temática particular e individual;
-Preferência pelo dinamismo;
-Busca do imprevisível;
-Comunicação direta das idéias;
-Linguagem cotidiana;
-Desejo de criar uma literatura que expressasse o novo século;
-Psicologia e Psicanálise;
-Originalidade e autenticidade;
-Interesse pela vida interior (estado de espírito, psíquico e subconsciente);
-Liberdade nos versos e ritmos.
Orpheu (1915)
-Orfismo Movimento dos que participaram da Revista Orpheu;
-Principais nomes: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros;
-Considerada por Pessoa “ a soma e a síntese de todos os movimentos literários”;
-Marco introdutório do Modernismo em Portugal;
-Por ser de uma geração caracterizada por múltiplos vetores dos manifestos europeus, Orpheu talvez tenha vivido mais dos valores individuais de seus integrantes do que de um programa estético bem definido enquanto proposta de grupo;
-Orpheu preconizava a arte pela arte, mas ao mesmo tempo a descida ao próprio poço, a busca ansiosa do eu e a fixação da agitada idade moderna.
Presença (1927-1940)
-Presencismo Movimento dos que participaram da Revista Presença;
-Revista literária de arte e crítica, tendo à frente os nomes de Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões e José Régio;
-Importantíssima na difusão do Modernismo em Portugal;
-Representou uma segunda fase do Modernismo, mais crítica do que criadora;
-O grupo defendia uma “literatura viva”, contra o academicismo e o jornalismo rotineiros, uma crítica livre, o primado do individual sobre o coletivo, o psicológico sobre o social, a intuição sobre a razão;
-Idéia de que a obra de arte não poderia estar limitada por condições de tempo e espaço;
-O Presencismo esfacela-se em 1940.
Fernando Pessoa
-Projeto artístico baseado na coexistência de diferentes tendências;
-Criação de várias entidades poéticas com biografias, traços físicos, profissão e estilo próprios;
-Mais de dez heterônimos, dentre os quais se destacam: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Fernando Pessoa ele-mesmo;
-Fragmentação e despersonalização, visando à composição de um painel de diversas tendências literárias e filosóficas;
-Síntese de tipos humanos;
-Nacionalismo e saudosismo.
Principais heterônimos (características)
Alberto Caeiro
-Considerado pelos outros heterônimos e pelo próprio Pessoa o seu mestre;
-Poeta-filósofo, que tira sua filosofia do contato com a natureza;
-Negação das teorias filosóficas e científicas, bem como das religiões;
-Defesa da simplicidade da vida e da sensação como único meio válido para a obtenção do conhecimento;
-Poeta do sensacionismo, que prega principalmente a apreensão da vida pelos órgãos dos sentidos;
-Vive apenas o presente e crê na simplicidade do real;
Ricardo Reis
-Faceta clássica da obra pessoana;
-É indiferente à vida social e defende a vida campestre e a simplicidade; entretanto, contrariamente à felicidade de Caeiro, Ricardo Reis sente a decadência da civilização, o que confere à sua poesia um caráter derrotista e destrutivo;
-Consciência da passagem do tempo e da inevitabilidade da morte;
-Presença da fatalidade;
-Defesa dos prazeres da vida, que devem ser degustados enquanto a morte não chega;
-Filosofia epicurista, que prega os prazeres naturais, sem excessos;
-Visão de mundo extraída da abstração filosófica;
-Busca de perfeição e de equilíbrio, intelectualismo, frieza na relação amorosa e presença da mitologia pagã.
Álvaro de Campos
-Apresenta semelhanças com as tendências modernistas, sobretudo o Futurismo;
-Versos soltos, movidos pela velocidade e por uma energia febril, revoltada, com exclamações e interrogações;
-Imagens construídas a partir das sensações da vida urbana e industrial;
-Poesia que possui três fases:
Fase decadente;
Fase futurista;
Fase pessoal, de descontentamento e de aridez interior;
-Nostalgia em relação à infância e “dor de existir”;
-Ser inadaptado, que vive à margem das regras sociais;
Fernando Pessoa ele-mesmo
-O mais nacionalista e saudosista de todos os heterônimos;
-Mensagem: Narra o Portugal sonhado por seus heróis, ainda que loucos ou alucinados;
-Cancioneiro: Não expressa uma filosofia definida, mas apresenta temas como saudade, vida, solidão, infância, arte, nostalgia e tédio;
-Poeta da inteligência e da imaginação;
-Reflexão sobre a arte poética e sobre o papel do artista.
Algumas conclusões:
-Fernando Pessoa constitui um dos fenômenos mais intrigantes da literatura. O fenômeno da heteronímia continua desafiando a crítica literária;
-Tanto a poesia ortônima quanto a heterônima destacam a relatividade das coisas;
-Há sempre uma busca do Absoluto, do Universal;
-Através das diferentes descrições físicas, formação cultural, e posturas ideológicas, os heterônimos compõem um verdadeiro painel português.
“Sendo nós portugueses, convém saber o que é que somos. O bom português é várias pessoas.
Nunca me sinto tão portuguesmente eu como quando me sinto diferente de mim – Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Fernando Pessoa, e quantos mais haja havidos ou por haver”.
Alberto Caeiro II
(...)
Creio no mundo como num malmequer.
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
XXIV
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
Ricardo Reis
Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa
Se é para nós que cessa. Aquele arbusto
Fenece, e vai com ele
Parte da minha vida.
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi, se passa, passo,
Nem distingue a memória
Do que vi do que fui.
A cada qual, como a statura, é dada
A justiça; uns faz altos
O fado, outros felizes.
Nada é prêmio: sucede o que acontece.
Nada, Lídia, devemos
Ao fado, senão tê-lo.
Só o ter flores pela vista fora
Nas áleas largas dos jardins exatos
Basta para podermos
Achar a vida leve.
De todo o esforço seguremos quedas
As mãos, brincando, pra que nos não tome
Do pulso, e nos arraste.
E vivamos assim,
Buscando o mínimo de dor ou gozo,
Bebendo a goles os instantes frescos,
Translúcidos como água
Em taças detalhadas,
Álvaro de Campos
Ode triunfal (fragmento)
(...)
Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto
Ao fúlgido e rubro ruído contemporâneo,
Ao ruído cruel e delicioso da civilização de hoje?
Tudo isso apaga tudo, salvo o Momento,
O Momento de tronco nu e quente como um fogueiro,
O Momento estridentemente ruidoso e mecânico,
O Momento dinâmico passagem de todas as bacantes
Do ferro e do bronze e da bebedeira dos metais.
Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,
Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,
Engenhos brocas, máquinas rotativas!
Eia! eia! eia!
Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Tabacaria (fragmento)
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(...)
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
(...)
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
(...)
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
(...)
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
(...)
Fernando Pessoa ele-mesmo
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Iato
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não. http://www.blogger.com/img/blank.gif
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir? Sinta quem lê!
-1ª Guerra Mundial;
-Meios artísticos invadidos por manifestos de vanguarda;
-Em Portugal, ocorrem turbulências devido à implantação do governo Republicano (1910);
-1908 O rei D.Carlos e o príncipe D. Luís Filipe são assassinados por um popular republicano, e quem assume o trono é um jovem de dezoito anos, D. Manuel II;
-A 1ª Guerra e a disputa sobre as colônias africanas geram uma frustração que encontra refúgio em uma onda de nacionalismo que gera duas correntes em Portugal: os SAUDOSISTAS e os INTEGRALISTAS;
-Volta ao passado e à grandiosidade do Império;
-1920 O nacionalismo português apresenta traços semelhantes ao fascismo italiano e ao nazismo alemão;
-1926 Tem início o governo de Salazar. A ditadura salazarista durará quarenta e oito anos, até a Revolução dos Cravos, em 1974.
-Conflito entre a euforia diante dos avanços técnico-científicos e a disputa pelos mercados consumidores, fator causador da 1ª Guerra Mundial;
-Otimismo x Pessimismo.
Manifestações artísticas:
-Surgimento de diversas tendências preocupadas com uma nova interpretação da realidade;
-Multiplicidade de tendências: as Vanguardas Européias;
-Principais vanguardas: Futurismo
Expressionismo
Cubismo
Dadaísmo
Surrealismo
Algumas características estético-ideológicas do Modernismo:
-Atitude irreverente em relação aos padrões estabelecidos;
-Fuga das tradições literárias;
-Reação ao passado clássico e estático;
-Temática particular e individual;
-Preferência pelo dinamismo;
-Busca do imprevisível;
-Comunicação direta das idéias;
-Linguagem cotidiana;
-Desejo de criar uma literatura que expressasse o novo século;
-Psicologia e Psicanálise;
-Originalidade e autenticidade;
-Interesse pela vida interior (estado de espírito, psíquico e subconsciente);
-Liberdade nos versos e ritmos.
Orpheu (1915)
-Orfismo Movimento dos que participaram da Revista Orpheu;
-Principais nomes: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros;
-Considerada por Pessoa “ a soma e a síntese de todos os movimentos literários”;
-Marco introdutório do Modernismo em Portugal;
-Por ser de uma geração caracterizada por múltiplos vetores dos manifestos europeus, Orpheu talvez tenha vivido mais dos valores individuais de seus integrantes do que de um programa estético bem definido enquanto proposta de grupo;
-Orpheu preconizava a arte pela arte, mas ao mesmo tempo a descida ao próprio poço, a busca ansiosa do eu e a fixação da agitada idade moderna.
Presença (1927-1940)
-Presencismo Movimento dos que participaram da Revista Presença;
-Revista literária de arte e crítica, tendo à frente os nomes de Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões e José Régio;
-Importantíssima na difusão do Modernismo em Portugal;
-Representou uma segunda fase do Modernismo, mais crítica do que criadora;
-O grupo defendia uma “literatura viva”, contra o academicismo e o jornalismo rotineiros, uma crítica livre, o primado do individual sobre o coletivo, o psicológico sobre o social, a intuição sobre a razão;
-Idéia de que a obra de arte não poderia estar limitada por condições de tempo e espaço;
-O Presencismo esfacela-se em 1940.
Fernando Pessoa
-Projeto artístico baseado na coexistência de diferentes tendências;
-Criação de várias entidades poéticas com biografias, traços físicos, profissão e estilo próprios;
-Mais de dez heterônimos, dentre os quais se destacam: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Fernando Pessoa ele-mesmo;
-Fragmentação e despersonalização, visando à composição de um painel de diversas tendências literárias e filosóficas;
-Síntese de tipos humanos;
-Nacionalismo e saudosismo.
Principais heterônimos (características)
Alberto Caeiro
-Considerado pelos outros heterônimos e pelo próprio Pessoa o seu mestre;
-Poeta-filósofo, que tira sua filosofia do contato com a natureza;
-Negação das teorias filosóficas e científicas, bem como das religiões;
-Defesa da simplicidade da vida e da sensação como único meio válido para a obtenção do conhecimento;
-Poeta do sensacionismo, que prega principalmente a apreensão da vida pelos órgãos dos sentidos;
-Vive apenas o presente e crê na simplicidade do real;
Ricardo Reis
-Faceta clássica da obra pessoana;
-É indiferente à vida social e defende a vida campestre e a simplicidade; entretanto, contrariamente à felicidade de Caeiro, Ricardo Reis sente a decadência da civilização, o que confere à sua poesia um caráter derrotista e destrutivo;
-Consciência da passagem do tempo e da inevitabilidade da morte;
-Presença da fatalidade;
-Defesa dos prazeres da vida, que devem ser degustados enquanto a morte não chega;
-Filosofia epicurista, que prega os prazeres naturais, sem excessos;
-Visão de mundo extraída da abstração filosófica;
-Busca de perfeição e de equilíbrio, intelectualismo, frieza na relação amorosa e presença da mitologia pagã.
Álvaro de Campos
-Apresenta semelhanças com as tendências modernistas, sobretudo o Futurismo;
-Versos soltos, movidos pela velocidade e por uma energia febril, revoltada, com exclamações e interrogações;
-Imagens construídas a partir das sensações da vida urbana e industrial;
-Poesia que possui três fases:
Fase decadente;
Fase futurista;
Fase pessoal, de descontentamento e de aridez interior;
-Nostalgia em relação à infância e “dor de existir”;
-Ser inadaptado, que vive à margem das regras sociais;
Fernando Pessoa ele-mesmo
-O mais nacionalista e saudosista de todos os heterônimos;
-Mensagem: Narra o Portugal sonhado por seus heróis, ainda que loucos ou alucinados;
-Cancioneiro: Não expressa uma filosofia definida, mas apresenta temas como saudade, vida, solidão, infância, arte, nostalgia e tédio;
-Poeta da inteligência e da imaginação;
-Reflexão sobre a arte poética e sobre o papel do artista.
Algumas conclusões:
-Fernando Pessoa constitui um dos fenômenos mais intrigantes da literatura. O fenômeno da heteronímia continua desafiando a crítica literária;
-Tanto a poesia ortônima quanto a heterônima destacam a relatividade das coisas;
-Há sempre uma busca do Absoluto, do Universal;
-Através das diferentes descrições físicas, formação cultural, e posturas ideológicas, os heterônimos compõem um verdadeiro painel português.
“Sendo nós portugueses, convém saber o que é que somos. O bom português é várias pessoas.
Nunca me sinto tão portuguesmente eu como quando me sinto diferente de mim – Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Fernando Pessoa, e quantos mais haja havidos ou por haver”.
Alberto Caeiro II
(...)
Creio no mundo como num malmequer.
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
XXIV
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
Ricardo Reis
Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa
Se é para nós que cessa. Aquele arbusto
Fenece, e vai com ele
Parte da minha vida.
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi, se passa, passo,
Nem distingue a memória
Do que vi do que fui.
A cada qual, como a statura, é dada
A justiça; uns faz altos
O fado, outros felizes.
Nada é prêmio: sucede o que acontece.
Nada, Lídia, devemos
Ao fado, senão tê-lo.
Só o ter flores pela vista fora
Nas áleas largas dos jardins exatos
Basta para podermos
Achar a vida leve.
De todo o esforço seguremos quedas
As mãos, brincando, pra que nos não tome
Do pulso, e nos arraste.
E vivamos assim,
Buscando o mínimo de dor ou gozo,
Bebendo a goles os instantes frescos,
Translúcidos como água
Em taças detalhadas,
Álvaro de Campos
Ode triunfal (fragmento)
(...)
Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto
Ao fúlgido e rubro ruído contemporâneo,
Ao ruído cruel e delicioso da civilização de hoje?
Tudo isso apaga tudo, salvo o Momento,
O Momento de tronco nu e quente como um fogueiro,
O Momento estridentemente ruidoso e mecânico,
O Momento dinâmico passagem de todas as bacantes
Do ferro e do bronze e da bebedeira dos metais.
Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,
Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,
Engenhos brocas, máquinas rotativas!
Eia! eia! eia!
Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do Inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Tabacaria (fragmento)
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(...)
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
(...)
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
(...)
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
(...)
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
(...)
Fernando Pessoa ele-mesmo
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Iato
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não. http://www.blogger.com/img/blank.gif
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir? Sinta quem lê!
quinta-feira, 9 de junho de 2011
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